Existem falhas no Enem? – Como funciona o programa

Milhões de brasileiros estão prestes a fazer o ENEM, um exame nacional de abandono escolar, originalmente concebido como um mecanismo para monitorar o desempenho da escola secundária.

Esta época do ano é crítica para milhões de estudantes em todo o Brasil. A época dos exames de admissão para o ensino superior começa com o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), organizado pelo Ministério da Educação. O ENEM foi originalmente introduzido para avaliar a qualidade do ensino secundário no país, mas evoluiu para um teste de conteúdo agora usado para outros fins.

Estes incluem ser usado como um teste de admissão para as principais universidades federais e outras instituições públicas, como uma forte influência na distribuição de apoio financeiro aos estudantes, e como um requisito para bolsas e programas como o Programa Ciência Sem Fronteiras.

oq ue é o enem

Há quase 8 milhões de estudantes inscritos para o exame deste ano, que estão competindo por aproximadamente 250 mil lugares no sistema federal de ensino superior, o chamado Sistema Unificado de seleção (SISU). Este exame é efetuado simultaneamente em todo o país, no estilo antigo dos exemplares de exame impresso que exigem respostas escritas à mão, o que apresenta muitos desafios logísticos e representa um enorme custo.

Além disso, o próprio conceito do exame provou ser prejudicial ao ensino médio.

Primeiro de tudo, o crescente domínio do exame—que exige bastante conhecimento profundo de matemática, física, química, biologia, inglês, português, história, geografia e redação— agora efetivamente formas de o currículo do ensino médio com desvantagens claras para aqueles que não participará do SISU e para aqueles que não pretendem aplicar, para qualquer faculdade, em todos.

No Brasil, devemos desenvolver um currículo de ensino secundário que possa acomodar um certo grau de diversidade, como tem sido feito em muitos outros países, não um único currículo orientado para um exame que não é relevante para todos. Um núcleo comum de educação geral deve ser a base de todos os programas, seguido por caminhos eletivos que oferecem um conhecimento mais específico e mais profundo para aqueles que querem prosseguir estudos acadêmicos ou uma carreira de ensino superior mais especializada ou preparação profissional ou técnica para os graduados que entrarão no mercado de trabalho após a conclusão dos estudos.

O ensino médio deve ser um período de formação e qualificação, geral e profissional, e não um longo curso preparatório para uma faculdade que muito poucos irão frequentar”. Assim, o ENEM teria de ser modificado, centrando-se na avaliação do nível secundário de ensino, tendo em conta a diversidade inevitável dos estudantes e dos objetivos dos estudantes dentro do sistema. Deve ser um teste de conhecimento geral com foco na comunicação e raciocínio matemático com diferentes avaliações para os diferentes caminhos que serão perseguidos por diferentes estudantes, incluindo um sistema de certificação para as carreiras técnicas e profissionais.

Do ponto de vista de logística, é claro que o antigo modelo de impresso testes aplicados em todo o país é louco, e o exame deve ser oferecido em diferentes momentos e em diferentes locais, utilizando modernas tecnologias de comunicação e informação e dispositivos utilizados para a administração de testes em todo o mundo.

Uma das principais justificações do “caráter unificado de entrada” do ENEM era que ele tornaria o acesso ao ensino superior mais democrático, porque permitiria que estudantes de qualquer cidade se candidatassem a um lugar em qualquer Universidade federal em qualquer lugar do país.

No entanto, além da falta de apoio financeiro para que os estudantes se mudem para outros lugares para estudar, a aplicação de um teste massivo cria uma situação ainda mais elitista. As instituições de ensino superior localizadas em regiões distantes da parte mais desenvolvida do país têm alguns dos seus programas de Licenciatura preenchidos com estudantes que se deslocaram da região mais rica.

Isto aumenta as pontuações de corte, e as universidades perdem a possibilidade de selecionar estudantes mais adequados aos objetivos profissionais e pedagógicos da instituição. Mesmo com a recente Política de reservar um mínimo de 50% do novo ingresso com cotas para estudantes de certos grupos raciais ou baixo status socioeconômico, o funil parece ficar ainda mais competitivo, exagerando ainda mais o acesso injusto ao ensino superior. No processo de seleção de 2015, por exemplo, a proporção de candidaturas por lugar no grupo de quotas foi superior à do grupo aberto (28 v. 25.7).

De fato, estudos anteriores indicam que a grande maioria dos assentos nas Universidades Federais do Brasil continuará ocupada por estudantes provenientes de famílias mais instruídas, que estudaram em boas escolas privadas ou nas poucas escolas públicas de excelência que existem em todo o país. Evidentemente, isso tem uma correlação direta com o status sócio-econômico da família, levando a uma assimetria no processo de seleção, perpetuando as desigualdades da sociedade Brasileira. Este é mais um exemplo dos muitos desafios que o Brasil deve enfrentar imediatamente, especialmente na educação, para continuar o desenvolvimento rumo a um país mais justo e democrático.

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